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sábado, 21 de agosto de 2010

Museu do Homem Americano

Resultado da descoberta dos sítios arqueológicos da Serra da Capivara com investimentos franceses este Museu é uma visita obrigatória para que vem ao Piauí. Várias rochas com inscrições de mais de 8.000 anos cercam o museu. As urnas funerárias impressionam, ainda mais quando estão com os esqueletos que alí foram colocados a milhares de anos. O museu funciona de Terça a Domingo entre 09:00 e 17:00 horas.








Na mesma área do Museu funciona o Centro Cultural Sérgio Motta. É neste Centro Cultural que os pesquisadores remontam os esqueletos com o material coletado na serra. Existem ossos de preguiças gigantes que pesavam mais de 5 toneladas, falsos tatús que eram do tamanho de um fusca, tigres de dente de sabre e muitos outros animais extintos há 8.000 anos.  

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cristino Castro - Canto do Buriti - São Raimundo Nonato

Cristino Castro é a cidade das aguas jorrantes. Isto ocorre porque se localiza sobre um imenso aquífero que devolve a agua com grande pressão sempre que é furado um poço. Em alguns lugares a agua chega a formar jatos que vão a até 20 metros de altura. A pequena cidade com seus 9.000 habitantes não é estruturada e os banhos em uma das piscinas formadas por estes poços são a grande diversão por aqui. O Hotel Gurguéia Park é a melhor opção de toda a região e é o lugar ideal para o descanso dos viajantes que trafegaram vários kilometros pela BR135. No Gurguéia existem piscinas públicas e outras restritas aos hóspedes. Um oásis no sertão do Piauí. Em frente ao hotel tem o restaurante Deltha Bode Assado, onde jantei o famoso churrasco de bode regado a uns goles de Mangueiras (cachaça com melado).





















  








































Às nove horas da manhã segui para São Raimundo Nonato. O ônibus diário que vai até lá já havia passado e a opção seria seguir a Canto do Buriti, a 200 Km de Cristino. No caminho as grandes chapadas que serviram de paisagem por todos estes kilometros rodados na 135 vão sumindo. O Cerrado misturado à caatinga vai perdendo espaço até que esta predomine completamente. A seca que assola a região vai se fazendo presente e carcaças bovinas recentes são observadas pela janela do ônibus. Apesar de constar no Censo de 2000 como tendo 18.000 habitantes a cidade de Canto dos Buritis mais parece um lugarejo meio abandonado. Sua população deve estar espalhada pelo interior. Tres horas depois, na rodoviária da cidade, fui informado que agora só teria ônibus para São Raimundo (mais 100Km) depois das 22 horas. Ah não, me recusei a ficar até as 22 horas por lá, o calor e o sol estavam de matar. Fui tentar uma carona e consegui, lá pelas 14:00, uma vaga no carro que leva o malote do banco. Seu Luiz, o motorista, nos fez relembrar de orações há muito esquecidas. O homem simplesmente não diminui a marcha quando tem qualquer veículo à frente, joga o carro para o lado da estrada (que não tem acostamento) e faz a ultrapassagem. Visibilidade para nosso Senna do sertão é só um detalhe que pode ser dispensado




































































As quatro da tarde cheguei em São Raimundo e me hospedei no aconchegante Real Hotel, um verdadeiro alívio quando imagino que poderia ficar até as dez da noite em Canto do Buriti. Amanhã vou ä Serra da Capivara e ao Museu do Homem da América.



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gilbués e Bom Jesus

Gilbués é uma cidadezinha que nasceu ás margens da BR135 (como a maioria das cidades desta região). tem 10.500 habitantes e está na microregião do Alto Médio Gurguéia. É uma espécie de polo cultural da região, onde acontecem os shows e a vida noturna é mais ativa do que nas outras cidades. mesmos problemas estruturais das cidades anteriores e sem maiores atratividades turísticas. a região ao redor da cidade sofre com a erosão, que causa um'grave problema de desertificação.












































Bom Jesus, também às margens da BR135, tem 16.000 habitantes e está na mesma microregião de Gilbués. A cidade já é bem mais estruturada, com alguns hotéis, restaurantes, bancos, policiamento e atrativos como as aguas jorrantes (poços que não precisam de bombas para extrair agua) e a serra do Bom Jesus. Aqui é somente o início destas aguas, na próxima cidade, Cristino Castro, é onde existem mais poços e piscinas para aproveitamento turístico. Aqui também é o lugar ideal para fazer as últimas compras, sacar dinheiro (Caixa e Banco do Brasil) antes de seguir para Cristino. Na cidade existem muitos imigrantes do Rio grande do Sul e é comum ver camisetas de clubes daquele Estado. Bom Jesus já é um alento para quem procura por atrativos turísticos no Sul do Piauí.O lado negativo é o desmatamento das margens do rio Gurguéia, o que está açoreando o rio que foi o marco inicial da colonização do Piauí.


        





















































































terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ceistalândia e Corrente

Cristalândia do Piauí fica no extremo Sul do Estado, tem 6.500 habitantes e se encontra na microregião das Chapadas do Extremo Sul. Cheguei lá no Sábado e decidi ir embora no Domingo. A cidade está sem prefeito e se prepara para uma nova eleição (caso o prefeito cassado não obtenha uma liminar que o leve ao poder novamente). Em um período eleitoral a cidade chegou a ter 5 prefeitos. Não existe hotel na cidade e a infra-estrutura básica é muito precária. O que tem muito são botequinhos, infestam a avenida principal. Fiquei hospedado na casa de dona Edite, na verdade uma pousada, com direito a ser acordado por galos ás quatro da madrugada e rojões de boas vindas a um canditado ao governo ás seis. O maior atrativo daqui é a chapada que cerca a cidade. Fica em uma região que não tem como chegar. Aparentemente é  ótimo para rapel e escaladas. Existe tambem a construção de uma estrada com acesso ao jalapao, mas sumiram com o dinheiro da obra e nada passa por lá. O evento cultural do ano acontece em Julho, com a festa de Nossa Senhora de Santana, tem uma semana de duração e atra moradores de cidades próximas e zonas agrícolas.

Corrente fica a 25 kilometros ao Norte de Cristalândia, tem 25.000 habitantes e é uma espécie de polo regional.  Tem alguns hotéis, todos muito simples, bancos e pequenos restaurantes. O esgoto a ceu aberto corta toda a cidade e os atrativos naturais são os mesmos de Cristalandia. Me falaram para visitar Parnaguá, cidade a 70 km daqui e que tem a sétima maior lagoa do mundo. Não vou pois de Parnagua teria que voltar a Corrente para seguir viagem e alem disto teria que passar pelo menos 24 horas lá pois a van passa uma única vez ao dia. 

Cristalândia e corrente poderiam ser a porta de entrada do Jalapão pelo Piauí. a falta completa de infraestrutura dificulta esta possibilidade. Também não sei se seria viavel economicamente preparar as cidades para esta atração. Os habitantes daqui desconhecem o deserto e não vi ninguem nestes tres dias com a intenção de ir ao Jalapão.


  













































































































Sigo hoje mais ao Norte, provavelmente Bom Jesus.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Rumo ao Piauí!

Gordinho e Cabelo, de Minas Gerais, estão viajando pelo Brasil e, se o tempo e o dinheiro ajudarem, pretendem ir de camionete até Machu Picchu. É com eles que pego a derradeira carona para a parte final e mais inóspita de todo o deserto do Jalapão. Saímos de Mateiros perto das 10 horas da manhã. Com a ajuda de pessoas que fizeram esta trevessia Gordinho e Cabelo tinham uma espécie de roteiro para chegar até Quarceral na saída para a Bahia. São 130Km de deserto, em estradas piores do que as que ligam Ponte Alta a Mateiros. O visual é deslumbrante e encontramos pelo caminho diversas Emas, Corujas e Siriemas. Em alguns pontos da estrada foi posssivel rastrear pegadas de onça.







































A estrada vai se bifurcando e entramos na trilha errada algumas vezes. Em uma destas desviadas de rota acabamos rodando pela pista de pouso de uma fazenda de soja e também por estreitos caminhos abertos no meio da plantaçao.












































































































Voltamos ä estrada e logo ao asfalto. Entramos pela Bahia, porém a rodovia estava em péssimas condições, buracos enormes colocam em risco aos que por ali trafegam. Setenta quilometros depois estávamos na divisa com o Piauí, mais 30 km e chegamos a Cristalândia do Piauí, primeira cidade ao Sul do Estado e meu primeiro destino. Chuck Barry mandava Go Jhonny Go...
























Muita sorte me acompanhou nesta travessia do Jalapão. Se tive meus anjos em Palmas e Taquaral aqui no deserto fui protegido por uma verdadeira legião que me ajudou a estabelecer um recorde para a travessia do Jalapao a partir de caronas. Deixar o deserto para tras e as pessoas que conheci não foi nada fácil. Me preocupo agora com os incêndios que destroem o serrado da região. Na mesma pousada que fiquei em Mateiros estava hospedada a brigada contra incêndio que tenta, com pouquíssimos recursos, apagar o imenso incêndio que devasta estas áreas. Eles contam com dois aviões, porém só existe autorização para utilizar uma hora de voo por dia. Pouco, muito pouco para combater o fogo e os novos focos que surgem dia a dia.

Fiquei estes dias sem postar pois não havia acesso á internet. estou em Corrente no Piauí e amanhã, se der tudo certo, escrevo sobre estas duas cidades.


I

Capim Dourado

Em Mateiros, cidade fundada em 1993 vivem 1.700 pessoas. Me hospedei na Pousada Buritis, do Tiago (63 99963321). Ilana, a guia da expedição, pertence á comunidade quilombola Mumbuca, percursores do famoso artesanato em Capim Dourado.



































































Em 17/09 a 20/09 ocorre a festa da colheita, uma festa cultural com teatro e homenagens a dona Miuda. Fui convidado para visitar e me hospedar na comunidade, porém não pude ficar pois logo cedo, Tiago, da Pousada Buritis, chegou com uma ótima notícia: Havia dado certo uma carona até Cristalândia do Piauí. Agradeço a Ilana pela companhia e pelas fotos da comunidade.

Deserto!

Amanhece em Ponte Alta do Tocantins. A pequena cidade da microregião do Jalapão, fundada em 1989 e com seus 6.200 habitantes desperta em torno do posto de combustível. Ali se compra o diesel para as máquinas agrícolas e se abastecem os carros que iniciam a travessia do deserto do Jalapão. É no posto também o melhor ponto para quem depende de caronas para chegar até Mateiros. Não existe transporte regular entre as duas cidades. Primeiro pelo baixo índice populacional e segundo pelas inóspitas condições da estarada que atravessa o deserto. Somente veículos com tração nas quatro rodas conseguem passar por alí, mesmo assim alguns atolam ao sair da estrada e trilhas secundárias. É fundamental que se leve para a travessia muita agua, comida e combustível extra. O Jalapão é considerado um deserto pelo baixíssimo índice de densidade demográfica. Você pode ficar horas ou até mesmo o dia inteiro sem encontrar uma única pessoa.
Espero por uma carona enquanto fotografo a cidade.














































































 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Dona Lázara, da pousada e Restaurante Planalto, da dona Lázara (63 337811 41 e 63 33781170), me oferece um rede para descansar no restaurante que possui bem em frente ao posto. Recuso pois tenho medo de perder uma possível carona. Dona Lázara reage:
- Pode vir descansar um pouco, a noção de tempo aqui é diferente da que vocês tem na cidade.
Agradeci, mas prefiri manter minha noção de tempo e continuar no posto atento a qualquer carona possível. O preço para te levarem de camionete a Mateiros gira em torno de R$500,00. Achei um exagero pela distância (cerca de 180 Km), mais tarde veria que este valor se justifica.
As horas passam e ninguém aparece para atravessar o deserto. Chega uma caravana com quadriciclos e várias camionetes que participam do rali dos sertões. Me empolgo, mas em vão pois estão indo em direção ao interior de Ponte Alta realizar ações sociais.




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Volto a esperar, sol esquenta, penso que vou ficar mais um dia nesta cidade. Se até as 13 ou 14 horas ninguém entrar na estrada é bem possível que só saia alguém no dia seguinte, ou no outro... Paciência, passam das 10 horas da manhã e decido aceitar a rede de dona Lázara.
Enquanto atravesso a rua vem subindo a ponte um comboio de camionetes (4 no total). Quase fico sem fôlego ao ver a primeira delas adesivada com os dizeres: Expedição Jalapão 2010! Puxa vida, tudo o que eu precisava. A expedição era composta por integrantes do Jeep Clube do Brasil.
No primeiro carro Robson e Paulão (Mitsubishi), no segundo Sandra e Heitor (Troller), terceiro com Giustu e Cristina (Toyota) e no quarto, o meu (rsrsrs), com Ricardo e Elizete (Barão e Baronesa do Cajamar) com “nossa” insuperável Mistubishi. Sorte não é para qualquer um, o problema é fiquei meio mal acostumado e cheguei a pensar em somente aceitar futuras caronas de membros da realeza.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 









A expedição não estava simplesmente atravessando rumo a Mateiros. Iriam visitar diversos atrativos da região, o que só valorizou o meu “pacote”. Passamos pela Gruta do Sussapara, Lajeado, Cachoeira da Velha e Prainha. A estrada é muito difícil, porém parecia brincadeira para os carros da expedição que por várias vezes saíram das estradas principais e se embrenharam em trilhas secundárias. Impressiona a força de um 4X4.
















































































































































































































































































































































































































Até chegar a Mateiros foram 9 horas de deserto. Ilana, guia da expedição (63 35341052), havia preparado uma ótima recepção com direito a um delicioso jantar, para o qual o caroneiro do dia foi convidado. Nem precisei ficar tossindo na porta do Barão.